PRESSÃO ALTA:

COMO O CONSUMO EXCESSIVO DE SAL ESTÁ SILENCIOSAMENTE ADOECENDO FAMÍLIAS

A hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é um problema de saúde muito comum no Brasil e no mundo. Apesar de ser uma condição que nem sempre apresenta sintomas evidentes, ela pode trazer sérias consequências ao longo do tempo, como derrames, infartos, problemas nos rins e até a morte. Um dos principais fatores por trás dessa doença silenciosa é o excesso de sal que consumimos todos os dias, muitas vezes sem perceber. Este artigo tem como objetivo explicar de forma clara e direta como o sal afeta a pressão, desmistificar algumas crenças erradas, e apresentar atitudes simples que podem fazer toda a diferença para a saúde da sua família.

 

O QUE É A PRESSÃO ALTA?

A pressão arterial é a força com que o sangue circula pelas artérias. Quando essa força está constantemente acima do normal, dizemos que a pessoa tem hipertensão. Os valores considerados ideais são abaixo de 120 por 80 mmHg. Quando os números ultrapassam 140 por 90 mmHg em mais de uma medição, é sinal de alerta.

Essa condição é chamada de “silenciosa” porque muitas vezes a pessoa não sente nada de diferente, mesmo com a pressão elevada. No entanto, ela pode estar prejudicando aos poucos o funcionamento de órgãos vitais como o coração, o cérebro e os rins. É justamente por essa falta de sintomas que a hipertensão costuma ser descoberta tardiamente, quando as complicações já estão avançadas.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), mais de um quarto da população adulta no Brasil sofre de hipertensão. Em pessoas idosas, esse número pode ultrapassar 50%, o que mostra o quanto esse problema é frequente e precisa de atenção contínua (INC, 2024).

COMO O SAL AUMENTA A PRESSÃO?

O sal de cozinha é composto principalmente por sódio, um mineral que participa de várias funções do corpo, como o controle dos líquidos e o equilíbrio da pressão arterial. Porém, quando consumido em excesso, o sódio faz com que o organismo retenha mais água, o que aumenta o volume de sangue nos vasos. Isso força o coração a trabalhar mais e eleva a pressão dentro das artérias.

O problema não está apenas no sal que usamos para cozinhar. A maior parte do sódio que ingerimos está escondida nos alimentos industrializados, como biscoitos salgados, embutidos (salsicha, presunto, mortadela), enlatados, temperos prontos e até pães e cereais matinais. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 70% do sódio que consumimos vem desses produtos processados e não do sal adicionado na comida durante o preparo (BRASIL, 2024).

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que uma pessoa adulta consuma no máximo 5 gramas de sal por dia, o equivalente a uma colher de chá rasa. No entanto, no Brasil, a média de consumo é de 9 gramas diárias — quase o dobro do recomendado (BVS, 2024).

MITOS E VERDADES SOBRE O CONSUMO DE SAL

Vamos esclarecer alguns equívocos comuns sobre o uso do sal e sua relação com a saúde:

  • “Eu uso pouco sal na comida, então não corro risco.”
    Mesmo quem cozinha com pouco sal pode consumir muito sódio sem saber. A maior parte vem dos alimentos industrializados, que já contêm sódio em excesso antes mesmo de chegar à sua cozinha.
  • “Sal rosa ou sal marinho é mais saudável.”
    Apesar de algumas diferenças de cor e de minerais, todos os tipos de sal contêm sódio e causam o mesmo efeito no organismo quando consumidos em excesso. Portanto, trocar o tipo de sal não resolve o problema.
  • “Se minha pressão estivesse alta, eu sentiria.”
    A hipertensão geralmente não causa sintomas até que surjam complicações graves. Muitas pessoas só descobrem que têm pressão alta após um derrame ou infarto. Por isso, a medição regular da pressão é fundamental.

Essas informações foram reforçadas por estudos divulgados por instituições como a UNIFESP, a Fiocruz e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), todas concordando que o controle do sal é essencial para a prevenção da doença.

O QUE PODE ACONTECER COM QUEM CONSOME MUITO SAL?

O consumo exagerado de sal pode trazer várias consequências sérias para a saúde, principalmente quando mantido por muitos anos. Entre as principais estão:

  • Doenças do coração, como infarto e insuficiência cardíaca.
  • Derrame cerebral (AVC), que pode causar paralisia ou morte súbita.
  • Problemas nos rins, que podem levar à necessidade de diálise.
  • Perda de visão, devido à pressão sobre vasos sanguíneos dos olhos.
  • Comprometimento da memória e do raciocínio, por microlesões nos vasos do cérebro.

Esses problemas ocorrem de forma lenta e progressiva, por isso muitas vezes passam despercebidos até se tornarem irreversíveis. A boa notícia é que, com mudanças simples no estilo de vida, é possível prevenir a maioria dessas complicações.

O QUE VOCÊ PODE FAZER PARA CONSUMIR MENOS SAL?

Reduzir o sal não significa abrir mão do sabor. Existem várias formas de preparar alimentos gostosos e saudáveis ao mesmo tempo. Veja algumas dicas:

No preparo da comida:

  • Use ervas frescas e temperos naturais como alho, cebola, limão, manjericão, alecrim e orégano.
  • Evite temperos prontos, caldos em cubos e molhos industrializados.
  • Retire o saleiro da mesa: o hábito de adicionar mais sal à comida pronta pode ser eliminado com o tempo.

Na hora das compras:

  • Leia os rótulos dos produtos e prefira aqueles com menor teor de sódio.
  • Evite alimentos ultraprocessados e embutidos.
  • Dê preferência a alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes e carnes frescas.

No dia a dia:

  • Reduza aos poucos o uso do sal, para que o paladar vá se adaptando.
  • Beba bastante água, pois ela ajuda a eliminar o excesso de sódio do organismo.
  • Incentive toda a família a mudar os hábitos alimentares de forma gradual e conjunta.

O aplicativo gratuito “Sal na Medida”, desenvolvido por pesquisadores brasileiros, pode ser um ótimo aliado para acompanhar e reduzir o consumo de sal no dia a dia (Folha de Pernambuco, 2024). Leia neste link, informações sobre o aplicativo e como obtê-lo: https://bvsms.saude.gov.br/sal-na-medida-aplicativo-auxilia-na-reducao-do-consumo-de-sal/

A IMPORTÂNCIA DE MEDIR A PRESSÃO COM FREQUÊNCIA

A única maneira de saber se sua pressão está dentro dos níveis saudáveis é fazendo a medição regularmente. Esse hábito deve fazer parte da rotina de todos os adultos, especialmente após os 40 anos ou em casos de histórico familiar de hipertensão. A medição pode ser feita em casa com aparelhos validados, em farmácias ou em unidades básicas de saúde (BVS/MS, 2024).

Não espere os sintomas aparecerem para agir. A prevenção começa com o conhecimento e o monitoramento.

A FAMÍLIA COMO ALIADA NA PREVENÇÃO

Cuidar da alimentação e da saúde não é responsabilidade de uma só pessoa. Quando toda a família se envolve, as chances de sucesso aumentam. Preparar as refeições juntos, escolher alimentos mais saudáveis e incentivar as crianças a desenvolverem bons hábitos são atitudes que fortalecem os laços familiares e promovem saúde coletiva.

Famílias que cozinham mais em casa, compartilham refeições com calma e priorizam alimentos naturais têm menor risco de desenvolver hipertensão e outras doenças crônicas (UFMG, 2024).

CONCLUSÃO

A pressão alta é uma doença séria, silenciosa e muito comum, mas que pode ser evitada com atitudes simples. Reduzir o consumo de sal é uma medida prática, acessível e eficaz. Informar-se, mudar pequenos hábitos e cuidar da alimentação são formas reais de proteger a si mesmo e a quem você ama.

Quanto antes essa mudança começar, melhores serão os resultados. Que tal começar hoje mesmo a fazer escolhas que vão beneficiar sua saúde por toda a vida?

AUTOR: Daniel R Alves J. Especialista de treinamento em vendas, atenção farmacêutica e vacinação. Farmacêutico Bioquímico: CRF SP 39673

Todas as informações redigidas neste artigo, possuem as seguintes referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Hipertensão (pressão alta). Portal Gov.br, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hipertensao. Acesso em: 2 ago. 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Orientações nutricionais para controle e prevenção da hipertensão arterial sistêmica. Brasília: MS, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/ecv/publicacoes/orientacao-nutricional-para-controle-e-prevencao-da-hipertensao-arterial-sistemica. Acesso em: 2 ago. 2025.

BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE. Hipertensão: Dia Mundial da Hipertensão. BVS/MS, 2024. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/17-5-dia-mundial-da-hipertensao. Acesso em: 2 ago. 2025.

INSTITUTO NACIONAL DE CARDIOLOGIA. Dados sobre prevalência de hipertensão no Brasil. INC, 2024. Disponível em: https://www.inc.saude.gov.br. Acesso em: 2 ago. 2025.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO. Sobre a hipertensão. SBH, 2024. Disponível em: https://www.sbh.org.br. Acesso em: 2 ago. 2025.

FOLHA DE PERNAMBUCO. Pressão alta: aplicativo criado por brasileiros ajuda a reduzir o consumo de sal. Folhape, 2024. Disponível em: https://www.folhape.com.br/saude. Acesso em: 2 ago. 2025.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Estratégias para reduzir a hipertensão arterial. UFMG – Faculdade de Medicina, 2023. Disponível em: https://www.medicina.ufmg.br. Acesso em: 2 ago. 2025.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO. Publicações científicas sobre sal e hipertensão. UNIFESP – Departamento de Medicina, 2024. Disponível em: https://www.unifesp.br. Acesso em: 2 ago. 2025.

and bronchial inflammation.

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