As vacinas são fundamentais para a prevenção de inúmeras doenças infecciosas, contribuindo para a redução significativa de morbimortalidade em todo o mundo. No entanto, como qualquer intervenção em saúde, podem estar associadas a efeitos adversos, geralmente leves, temporários e esperados. Esses eventos pós-vacinação, embora comuns, muitas vezes são confundidos com riscos graves, o que alimenta mitos e hesitação vacinal. Compreender quais reações são frequentes, como reconhecê-las e de que forma podem ser amenizadas é essencial para promover confiança da população nos programas de imunização.
As vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil são geralmente seguras, mas podem causar reações adversas comuns, que variam conforme o tipo de vacina. Essas reações são tipicamente leves e transitórias, divididas em locais (no local da aplicação) e sistêmicas (gerais). Baseado em manuais oficiais do Ministério da Saúde, aqui vai um resumo das mais frequentes:
Vacina da febre amarela ou varicela: Afetam cerca de 4-30%.
Rotavírus ou poliomielite oral: Reações leves como irritabilidade ou invaginação intestinal (rara).
Reações graves, como anafilaxia ou eventos neurológicos, são raras (ex.: 1-2 por milhão de doses). Elas geralmente ocorrem logo após a vacinação e devem ser monitoradas, mas o risco é muito menor que o das doenças prevenidas.
Vacina BCG
Pode causar vermelhidão, pequeno nódulo e ulceração local que evolui com cicatrização espontânea. Para amenizar, é recomendado não manipular a lesão e manter a pele limpa.
Vacina Pentavalente
Está associada a febre baixa, dor e vermelhidão no local da aplicação. Compressas frias e o uso de analgésicos orientados por profissionais de saúde podem aliviar os sintomas.
Vacina Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola)
Pode causar febre, erupções leves na pele e aumento temporário de gânglios. A hidratação e repouso são estratégias eficazes para reduzir o desconforto.
Vacina contra a Influenza
Pode gerar dor no braço e, em alguns casos, febre baixa. A aplicação de compressas frias e repouso costumam ser suficientes para alívio.
Vacina contra a COVID-19
Está relacionada a dor no local da aplicação, fadiga, febre e dores musculares. O uso de analgésicos simples, prescritos quando necessário, auxilia na melhora do quadro.
Vacina contra a Poliomielite (oral e inativada)
A forma inativada pode causar dor no braço, enquanto a via oral raramente gera diarreia leve. Hidratação e observação são recomendadas.
Não é recomendado o uso preventivo (profilático) de analgésicos ou anti-inflamatórios antes ou imediatamente após a vacinação para evitar reações adversas. Estudos e orientações indicam que isso pode interferir na resposta imunológica, reduzindo a eficácia da vacina ao suprimir a inflamação natural necessária para a formação de anticorpos. Em vez disso, esses medicamentos devem ser usados apenas para alívio sintomático, ou seja, somente se os sintomas aparecerem (como febre ou dor).
Para tratar reações leves após os sintomas surgirem, os manuais recomendam analgésicos e antitérmicos simples. Os ideais são:
Evite anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como ibuprofeno, diclofenaco ou nimesulida de forma rotineira, pois podem reduzir a resposta vacinal se usados preventivamente ou em excesso. Sempre consulte um médico para dosagens e em casos de crianças, idosos ou comorbidades.
Não há evidências fortes de medicamentos comuns que aumentem diretamente a prevalência de reações adversas às vacinas do PNI. Por exemplo:
Se houver suspeita, avalie com um profissional de saúde. Reações variam por vacina e indivíduo, mas não são tipicamente exacerbadas por medicamentos rotineiros.
Sim, alguns medicamentos podem reduzir a resposta imunológica às vacinas, devendo ser evitados ou usados com cautela. Os principais incluem:
Antibióticos e a maioria dos remédios comuns não interferem. Sempre informe ao vacinador sobre medicamentos em uso e siga orientações personalizadas. Para dúvidas específicas, consulte o Ministério da Saúde ou um profissional qualificado.
Devemos nos conscientizar da importância vacinal. Quebrar paradigmas e combater mitos sobre as mesmas. A vacinação é uma das estratégias de saúde pública mais eficazes da história, responsável por reduzir drasticamente a ocorrência de doenças antes letais. No Brasil, entretanto, a queda nas taxas de imunização tem favorecido a reintrodução de enfermidades controladas, como o sarampo. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 2025 o país registrou aumento de 34 vezes nos casos de sarampo em comparação ao ano anterior, sendo a maioria em crianças. Esse cenário evidencia a necessidade urgente de fortalecer as campanhas de vacinação e conscientizar a população sobre a gravidade das doenças preveníveis.
Os efeitos adversos das vacinas, em sua maioria, são reações leves e autolimitadas, que não se comparam aos riscos das doenças contra as quais protegem. O combate à desinformação é essencial para aumentar a adesão da população aos programas de imunização. Reforçar a importância da vacinação, esclarecer dúvidas e oferecer orientação adequada às famílias são medidas indispensáveis para garantir a proteção coletiva e evitar a reemergência de surtos, como os recentes casos de sarampo.
AUTOR: DANIEL R ALVES JR.FARMACÊUTICO BIOQUÍMICO: CRF SP 39673. ESPECIALISTA DE TREINAMENTO EM VENDAS, ATENÇÃO FARMACÊUTICA E VACINAÇÃO.
Todas as informações redigidas neste artigo, possuem as seguintes referências:
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