VACINA CONTRA A DENGUE:

QUEM PODE TOMAR, QUANDO É INDICADA E COMO SE PROTEGER COM SEGURANÇA NESTE VERÃO

A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e representa um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, especialmente durante os meses mais quentes e chuvosos do ano. No verão, as condições climáticas favorecem a proliferação do mosquito, aumentando significativamente o número de casos. Nos últimos anos, o avanço da ciência permitiu o desenvolvimento de vacinas contra a dengue, ampliando as estratégias de prevenção. No entanto, o uso correto dessas vacinas exige informação clara, responsável e alinhada às recomendações oficiais, para garantir segurança e efetividade.

O QUE É A DENGUE E POR QUE O RISCO AUMENTA NO VERÃO

A dengue é causada por um vírus que possui quatro sorotipos diferentes, o que significa que uma pessoa pode ser infectada mais de uma vez ao longo da vida. Os sintomas variam desde quadros leves, como febre e dor no corpo, até formas graves, que podem levar a complicações sérias e até ao óbito. Durante o verão, o aumento das chuvas e das temperaturas cria ambientes propícios para a reprodução do mosquito transmissor. Água parada em recipientes domésticos, calhas e vasos de plantas favorece a disseminação da doença, tornando a prevenção ainda mais necessária nesse período.

VACINA CONTRA A DENGUE: COMO ELA FUNCIONA

A vacina contra a dengue atua estimulando o sistema imunológico a produzir defesa contra o vírus, reduzindo o risco de formas graves da doença. Ela não é um tratamento e não deve ser utilizada em pessoas que já estejam com sintomas de dengue. Seu objetivo principal é prevenir complicações e hospitalizações. É importante destacar que a vacina não substitui outras medidas de prevenção, como o combate ao mosquito, mas funciona como uma estratégia complementar de proteção à saúde coletiva.

QUEM PODE TOMAR A VACINA E QUAIS CUIDADOS SÃO NECESSÁRIOS

As indicações da vacina contra a dengue variam conforme a faixa etária, histórico de infecção prévia e orientações das autoridades sanitárias. Nem todas as pessoas podem receber a vacina, especialmente aquelas com determinadas condições clínicas ou imunológicas. Por isso, a avaliação individual e a orientação profissional são fundamentais. O farmacêutico e os serviços de saúde têm papel essencial na triagem, no esclarecimento de dúvidas e no encaminhamento adequado do paciente.

Esta é uma tabela detalhada e atualizada sobre a vacinação contra a dengue no Brasil, com foco na vacina Qdenga (a utilizada atualmente pelo SUS e disponível na rede privada).

TABELA RESUMO: VACINA DA DENGUE (QDENGA)

DETALHAMENTO DE PRAZOS E CUIDADOS

Aqui estão os pontos de atenção cruciais para garantir a eficácia da imunização e a sua segurança:

1. Datas e Intervalos Específicos

  • Se você teve dengue recentemente: É necessário aguardar 6 meses após a recuperação da infecção para tomar a vacina. Se você tomar antes desse prazo, a resposta imunológica pode ser prejudicada.
  • Se você teve dengue APÓS a 1ª dose: Deve-se manter o intervalo de 3 meses para a 2ª dose, contanto que este intervalo não seja inferior a 30 dias após o início da doença. O ideal, contudo, é aguardar os 6 meses para garantir melhor resposta.
  • Atraso na 2ª dose: Se você perdeu a data de retorno (passaram-se mais de 3 meses), tome a segunda dose assim que possível. Não é necessário reiniciar o esquema do zero.

2. Cuidados Pré e Pós-Vacina

  • Doenças agudas: Se estiver com febre moderada ou grave no dia da vacinação, adie a aplicação até se recuperar. Resfriados leves sem febre geralmente não impedem a vacinação.
  • Mulheres em idade fértil: Recomenda-se evitar a gravidez por pelo menos 30 dias após receber uma dose da vacina.
  • Reações comuns: É normal sentir dor no local da injeção, dor de cabeça, dor muscular ou ter febre leve. Esses sintomas costumam passar em 1 a 3 dias. Repouso e hidratação ajudam.

Nota Importante sobre a outra vacina (Dengvaxia)

Existe uma outra vacina no mercado, a Dengvaxia (da Sanofi), mas ela tem regras muito diferentes:

  • Apenas para quem JÁ teve dengue: É proibida para quem nunca teve contato com o vírus.
  • Esquema: 3 doses com intervalo de 6 meses (0, 6 e 12 meses).
  • Idade: 9 a 45 anos.
  • Geralmente, a Qdenga é a preferida atualmente por ser mais segura para um público mais amplo (quem teve e quem não teve dengue).

Dica Prática: Se você ou seu filho(a) estão na faixa etária do SUS (10-14 anos), verifique na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima se o seu município já recebeu as doses, pois a distribuição é feita de forma escalonada pelo Ministério da Saúde.

Gostaria de saber se você precisa de ajuda para calcular a data da segunda dose com base em uma data específica?

A VACINA COMO PARTE DA PREVENÇÃO NO VERÃO

Mesmo vacinada, a pessoa deve manter cuidados básicos para evitar a dengue, como eliminar focos de água parada e utilizar repelentes quando indicado. A vacinação deve ser encarada como parte de um conjunto de ações preventivas, e não como uma solução isolada. Informação correta, uso consciente da vacina e medidas ambientais continuam sendo as formas mais eficazes de reduzir o impacto da doença durante o verão.

AUTOR: DANIEL R ALVES JR.FARMACÊUTICO BIOQUÍMICO: CRF SP 39673. ESPECIALISTA DE TREINAMENTO EM VENDAS, ATENÇÃO FARMACÊUTICA E VACINAÇÃO.

Todas as informações redigidas neste artigo, possuem as seguintes referências: 

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Dengue: informações técnicas e vacinação. Disponível em: https://www.gov.br/saude
  • AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Vacinas e imunização. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIm). Dengue e vacinação. Disponível em: https://sbim.org.br
  • ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Dengue nas Américas. Disponível em: https://www.paho.org

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